sexta-feira, 18 de maio de 2012

Existe destino? Podemos considerar os males que ocorrem na vida das pessoas como resultados do Destino?

Há pessoas que não se constrangem em acusar a Deus pelos males que acontecem. Deus não apenas disciplina e corrige os Seus filhos errantes (Ap 3:19), mas também castiga e destruirá, finalmente, a todos os ímpios impenitentes (Ml 4:1; Jd 5-7; Ap 20:11-15). Mas essa disciplina e esse castigo são sempre a reação divina, misericordiosa e justa, à manifestação destrutiva do pecado (Rm 6:23). Assim, não podemos jamais responsabilizar a Deus pelos males que existem no mundo. Ao longo das Escrituras encontramos inúmeros incidentes em que pessoas, fazendo uso do seu livre-arbítrio, afastaram-se do plano de Deus, e acabaram tendo que suportar as desastrosas consequências de suas próprias ações. Foi assim que o pecado entrou no mundo (Gn 3), a despeito das advertências divinas para evitar esse mal (Gn 2:15-17). Foi também assim que muitos idólatras israelitas acabaram perdendo a vida (Êx 32), em decorrência de sua atrevida desobediência às leis divinas (Êx 20:1-6). E será pela obstinada recusa de aceitar o convite divino à salvação que muitos se perderão, apesar da vontade de Deus ser que “nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (Pe 3:9). O princípio da escolha e de suas consequências é claramente enunciado nas palavras “aquilo que o homem semear, isso também ceifará”. (Gl 6:7). Existem males que nos sobrevêm, e que não podem ser qualificados como castigo divino nem como resultado de nossa imprudência pessoal. Eles ocorrem devido à própria presença do pecado (2Tm 3:1-7) e à atuação das forças demoníacas (Ef 6:10-12). Os sofrimentos de Cristo (Mt 26 e 27) e do apóstolo Paulo (2Co 11:23-27) confirmam essa realidade (ver Jo 15:20; 16:33). Mas, além da maravilhosa promessa de que Deus não permite que ninguém seja tentado além de suas forças (1Co 10:13), temos também a confortadora certeza de que Ele é poderoso para transformar males em bem, de forma que “todas as coisas” cooperem eventualmente para o nosso próprio bem (Rm 8:28). Num mundo habitado por criaturas morais, dotadas de livre-arbítrio, Deus não predetermina ou predestina tudo o que acontece. Portanto, não podemos culpar o “destino” pelas consequências de nossos próprios erros ou pelos males provocados pelos poderes das trevas, antagônicos à vontade divina. Mas, como disse alguém, apesar de Deus nunca ter prometido “eliminar todas as tempestades de nossa vida, Ele nos deu a certeza de estar conosco em meio às tempestades”. E é exatamente esse senso da presença de Deus que dá estabilidade e segurança ao cristão, em meio aos problemas da vida.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Publicado no Jornal O Gideão de São Caetano do Sul

domingo, 6 de maio de 2012

PAZ NA TORMENTA

"Em Nossas Rotas Trágicas de colisão, O Senhor sempre Assumirá o Controle e nos dará a Direção Divina a fim de Superarmos o nosso Sofrer". Por Pastor Chaguri

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Quem é o "arcanjo Miguel" mencionado em Judas 9?


Muita especulação surgiu através dos tempos, nas tradições judaica e cristã, sobre a natureza e obra dos anjos, bem como sobre a identificação do arcanjo Miguel.
Na literatura pseudo-epigrafa
Miguel é apresentado como um dos sete arcanjos celestiais (I Enoque 20:1-7; 81:5; 90:21-22; Tobias 12:15), e um dos quatro que se encontram mais próximos do trono de Deus (I Enoque 9:1; 40:1-10; 54:6; 71:8, 9 e 13). Essas tradições extra bíblicas têm sido usadas por muitos comentaristas contemporâneos para alegar que Miguel é apenas um anjo, criado por Deus, que exerce a função de principal líder das hostes angélicas.
 Nas Escrituras
Miguel, cujo nome significa "Quem é como Deus?", é descrito como "arcanjo" (Judas 9), o líder das hostes angélicas no conflito com Satanás e os anjos maus (Apocalipse 12:7), "um dos primeiros príncipes" (Daniel 10:13), "vosso príncipe" (Daniel 10:21) e "o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo" (Daniel 12:1).
Uma análise detida dessas expressões dentro do contexto bíblico deixa claro que Miguel é apresentado no texto sagrado como um Ser divino, cujas características refletem a glória messiânica do Antigo Testamento.
Miguel é apresentado em Judas 9 como o "arcanjo" que, na disputa "a respeito do corpo de Moisés" (Deuteronômio 34:5 e 6), enfrentou o diabo com as palavras: "O Senhor te repreenda!" Essa alusão identifica Miguel como o "Anjo do Senhor" que, na contenda sobre o "sumo sacerdote Josué", disse igualmente ao diabo: "O Senhor te repreenda, ó Satanás" (Zacarias 3:1 e 2). É interessante notarmos que, tanto em Zacarias 3 como em Gênesis 22:11-18; Juízes 6:11-24; 13:2-22 e Atos 7:30-33 e 38, o Anjo do Senhor é identificado como sendo o próprio Senhor! Em Apocalipse 12:7, Miguel e Satanás são apresentados em direto antagonismo, num conflito cósmico que se originou no Céu, e que se estende ao longo da história humana (Apocalipse 12:1-17; 20:1-10).
O Novo Testamento esclarece que esse conflito se polariza entre Cristo e Seus seguidores e Satanás e seus adeptos (ver Mateus 4:1-11; João 12:31 e 32; 14:30; Efésios 6:10-20; Colossenses 1:13 e 14; etc.).Já em Daniel 10:13 e 21; 12:1, Miguel é chamado de "príncipe" e "o grande príncipe".
Em todo o restante das Escrituras, quando não aplicado a seres humanos, o título "príncipe" é usado exclusivamente para Cristo (Josué 5:14 e 15; Isaías 9:6; Daniel 8:11 e 25; 9:25; Atos 5:31) ou para Satanás (João 12:31; 14:30; 16:11; Efésios 2:12), mas nunca para qualquer outro ser angelical.
Em Josué 5:14 e 15, o Senhor Se apresentou a Josué como o "príncipe do exército do Senhor", aceitando adoração, o que seria uma blasfêmia se esse príncipe fosse apenas um anjo (ver Mateus 4:10; Apocalipse 22:8 e 9), e ordenando que Moisés tirasse as suas sandálias porque o lugar se tornara santo (ver Êxodo 3:4-6; Atos 7:30-33).  No próprio livro de Daniel, Cristo é chamado também de "príncipe do exército" (Daniel 8:11) e "Princípe dos Princípes" (Daniel 8:25).
Uma das características básicas do conteúdo profético do livro de Daniel é a "repetição para ampliação". Cada uma das quatro grandes seções proféticas do livro emprega símbolos diferentes para descrever a mesma seqüência profética, culminando sempre com a manifestação gloriosa de Cristo para a implantação do Seu reino eterno.  Essa manifestação de Cristo é simbolizada em Daniel 2, pela pedra cortada sem auxílio de mãos (versos 34 e 35; 44 e 45; comparar com Atos 4:11; Efésios 2:20; I Pedro 2:4-8); em Daniel 7, pelo aparecimento do Filho do Homem (verso 13; comparar com Mateus 16:27; 24-27 e 30; 25:31 e 32; etc.); em Daniel 8, pelo surgimento do Príncipe dos Príncipes (verso 25; comparar com Apocalipse 19:11-21); e, finalmente, em Daniel 10-12, pela vinda de "Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo" (capítulo 12:1; comparar com Salmo 91). Alegar que Miguel seja um simples anjo significa quebrar o paralelismo estrutural do livro.
Fundamentados nas semelhanças que a Bíblia apresenta entre as características da missão do Arcanjo Miguel com as de Cristo, podemos concordar com outros comentaristas, como João Calvino e Matthew Henry, que identificam Miguel como Cristo e não um simples anjo (ou um ser criado).


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Deus cria o mal? Como um Deus perfeito pode criar “o mal”? (Is 45:7)

 O profeta Isaías exerceu seu ministério profético num período em que a religião de Israel estava sendo contaminada por influências idólatras e politeístas das nações circunvizinhas. Nos capítulos 40 a 48 do livro de Isaías, o Senhor reivindica Sua exclusiva soberania universal, como Criador, Mantenedor e Salvador, em contraste com a impotência dos falsos deuses pagãos. Em Isaías 45:5-7 Deus diz: “Eu sou o Senhor, e não há outro; além de Mim não há Deus; Eu te cingirei, ainda que não Me conheces. Para que se saiba, até ao nascente do sol e até ao poente, que além de Mim não há outro; Eu sou o Senhor, e não há outro. Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; Eu, o Senhor, faço todas estas coisas.
ORIGEM DA PALAVRA “MAL”
A palavra “’mal” (hebraico ra‘) aparece no verso 7 em direto contraste com o termo “paz” (hebraico shalom), e refere-se, aqui, não à natureza moral interior de uma pessoa, e sim a calamidades exteriores. Deus jamais poderia “criar” o pecado sem com isso comprometer Seu caráter justo e santo.  
Mas Ele pode permitir que calamidades exteriores sobrevenham a uma pessoa ou nação para discipliná-las com propósitos redentivos (ver Ap 3:19) ou mesmo punitivos (ver Ap 21:8). No Antigo Testamento encontramos várias ocasiões em que Deus permitiu que nações pagãs, como Assíria e Babilônia, punissem a apostasia de Seu próprio povo (ver Dt 11:8-32; 28:1-68). Valendo-se de um idiomatismo característico da mentalidade semítica, os profetas bíblicos retrataram muitas vezes a Deus como causando as calamidades que Ele apenas permitia que ocorressem. Esse idiomatismo é usado também em Isaías 45:7, onde é enfatizado que Deus controla “todos os acontecimentos, os bons e os maus” (A Bíblia Viva), criando o bem e permitindo que desgraças sobrevenham ao Seu povo, quando outros recursos não forem suficientes para afastá-los dos maus caminhos.
Por Pastor Chaguri (Mestre em Missiologia).