sexta-feira, 14 de outubro de 2011

ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO.

Designação enigmática encontrada em Mat. 24:15, emprestada de Daniel (11:31; 12:11), onde a frase correspondente aparece como “abominação desoladora”. Daniel predisse uma grande profanação do templo por um poder estrangeiro, em uma tentativa de substituir o verdadeiro sistema de culto por um falso. O gr. bdelugma tes eremoseos, “abominação da desolação”, em Mat. 24:15 é idêntico à tradução da LXX, (MS, 88) do heb. shiqqûs shômem em Dan. 12:11. Em Dan. 11:31 shiqqûs meshômem é traduzido como bdelugma ton eremoseon. (Compare bdelugma ton eremoseon, “Abominações assoladoras”, em Daniel 9:27; e hamartia eremoseos, “transgressão assoladora”, no cap. 8:13, ambas as expressões, sem dúvida, devem ser identificadas com bdelugma tes eremoseos, dos caps. 11:31 e 12:11). O heb. shiqqûs é um termo comum no A.T. que designa uma “deidade idolátrica” (e.g., Deut. 29:17; II Reis 23:24; II Crôn. 15:8; Ez. 37:23). Dizia-se que tais “abominações” colocadas no templo aviltavam e poluíam o recinto sagrado nos tempos do A.T. (Jer. 7:30; Ez. 5:11). O heb. shamem, a forma pela qual é traduzida “desolação”, (mais literalmente, “alguma coisa que torna desolado”) significa devastação causada por um exército invasor (Jer. 12:11), uma cena que cria um senso de horror na pessoa que a observa (Jer. 18:16). O heb. pesha, transgressão”, na expressão paralela “transgressão assoladora”, em Dan. 8:13 é usado para atos de *Apostasia e rebelião contra *Deus (Veja Amós 2:4, 6; Miq. 1:5).
Interpretação. Cerca de 100 a.C., o escritor de I Macabeus (Veja I Mac. 1:54, 59; cf. 6:7) identificou a “abominação desoladora” (bdelugma eremoseos) como um *Altar idolátrico erigido por Antíoco Epifânio, sobre o altar de ofertas queimadas no templo de Jerusalém em 168 a.C. Cerca de 70 a.C., Josefo aplicou igualmente a profecia de Daniel a um “altar idolátrico”, construído sobre o “altar de Deus” (Josefo, Antigüidades, X. 11.7 [Loeb, 272-276]; XII 5 [Loeb, 253]. Em Mat. 24:15 (cf. Luc. 21:20-22), Cristo aplicou-a aos romanos, que, 40 anos mais tarde, em 70 A.D., invadiram Jerusalém e queimaram o templo, e no ano 130 A.D. ordenaram a construção de um templo a Júpiter Capitolino em seu lugar (Cambridge Ancient History, vol. XI, p. 313). Comentaristas judeus da Idade Média, tais como Ibn Ezra, de modo semelhante, aplicaram-na à obra dos romanos no primeiro século A.D. (L. E. Froom, Prophetic Faith of Our Fathers, vol. 2, pp. 210, 213). Irineus, Orígenes e outros escritores cristãos dos primeiros séculos aplicaram-na a um futuro *Anticristo (ibid., vol. 1, pp. 247, 320, 366), como fizeram escritores católicos medievais posteriormente, tais como Villanova e Olivi (ibid., pp. 752-754, 773). Pseudo Joaquim aplicou-a aos Papas de seus dias (ibid., p. 728), Wyclif (ibid., vol. 2,  p. 58), Huss (ibid., p.118), Lutero (ibid., pp. 272, 277, 280) e vários comentaristas protestantes identificaram-na com o Papado ou com as práticas e doutrinas da igreja papal. *Guilherme Miller e provavelmente a maioria dos pregadores Mileritas fizeram o mesmo. A maioria dos comentaristas protestantes modernos aplicam a “abominação desoladora” ao culto idolátrico instituído por Antíoco Epifânio, enquanto que os comentaristas fundamentalistas consideram Antíoco Epifânio como um protótipo do homem do pecado que viria no futuro.
Interpretação ASD. *Urias Smith, comentarista pioneiro ASD, aplicou a disseminação das “abominações” de Dan. 9:27 aos eventos do ano 70 A.D., sob o domínio de Roma pagã, e a “abominação da desolação” ao Papado. (RH, 28 de fevereiro, 1871) Especificamente identificando “*O Contínuo” (diário) de Dan. 8:11; 11:31; 12:11 com o “paganismo” do Império Romano, e a “abominação da desolação” com o Papado, Smith aplicou a “remoção do contínuo” e a introdução da “abominação desoladora” em seu lugar ao estabelecimento da supremacia papal sobre a dissolução do Império Romano, um processo que ele considerou completo por volta de 538 A.D. e um estado de eventos contínuos por 1.260 anos até a prisão do Papa Pio VI em 1798 (com base em Dan. 7:25 e 12:7). Smith identificou a *Ponta Pequena de Daniel 8 com Roma em suas duas fases, pagã e papal (Daniel and Revelation, 1882, ed., p. 202).
Comentaristas ASD contemporâneos semelhantemente identificam a “abominação da desolação” com os ensinamentos e práticas Papais não fundamentados nas Escrituras, tais como sacrifício da missa, confissão, veneração da virgem Maria, celibato sacerdotal e estrutura hierárquica da igreja — porém, enquanto alguns defendem a interpretação de Smith do “contínuo”, outros compreendem que “o contínuo”, substituído por essas práticas extrabíblicascaps. 11 e 12, que estabeleceu a “abominação da desolação”, com o “*Homem do Pecado”, “mistério da iniqüidade” ou o “iníquo” de II Tess. 2:2-12; com o “anticristo” de I João 2:18; com a *besta semelhante a um leopardo de Apoc. 13; com “mistério, *Babilônia, a grande, a mãe das meretrizes e das abominações da terra” de Apoc. 17. A “abominação” introduzida pelo poder apóstata, que consiste em práticas e ensinos não-bíblicos, é causadora de sua “queda” (literalmente, “apostasia”) da verdade revelada nas Escrituras (II Tess. 2:3, 9-12), de suas “blasfêmias” (Apoc. 13:1, 5, 6); e do “vinho” de Babilônia (Apoc. 17:2). Na tradição histórica protestante, os ASD consideram que a Igreja de Roma e seus ensinos não fundamentados na *Bíblia são o cumprimento histórico dessas profecias.

Twitter: @prchaguri

1 comentários:

André disse...

Excelente texto. Artigos como este garantem a identidade dos cristãos adventistas como o povo da bíblia. Vou até imprimir.

Abraços,

Oramos para que o Senhor Te Abençõe,

André.