segunda-feira, 16 de agosto de 2010

O DIA DO SENHOR NA PREGAÇÃO DO EVANGELHO!

DIA DO SENHOR. [heb. yôm Yahweh; gr. he hemera tou Kyriou, “o dia do Senhor.”] A identificação de Apoc. 1:10 do dia em que ele estava “no Espírito”, isto é, viu uma visão registrada no cap. 1. Essa expressão, que nesta forma não ocorre em nenhuma outra parte das Escrituras, foi interpretada de várias formas como se referindo: (1) ao grande dia do juízo final; (2) a um aniversário imperial; (3) ao domingo; (4) o sábado do sétimo dia.
1. Como o dia do juízo final. No A.T. (Veja Joel 2:11, 31; Sof. 1:14; Mal. 4:5) e o A.T. (I Tess. 5:2; II Ped. 3:10) o “dia do Senhor” se refere ao tempo em que Deus destruirá o pecado e os pecadores e libertará Seu povo. Os defensores dessa teoria ressaltam o fato de que o Apocalipse focaliza a atenção no grande dia final do Senhor e os eventos que levam a ele. Eles traduziriam o gr. en te kyriake hemera, “no dia do Senhor”, como “concernente ao dia do Senhor”. Porém, a expressão grega traduzida “o dia do Senhor” é sempre hemera [tou] kyriou (I Cor. 5:5; II Cor. 1:14; I Tess. 5:2; II Ped. 3:10). Fosse a intenção de João declarar que suas visões a respeito do grande “dia do Senhor”, esperar-se-ia que ele utilizasse a fraseologia comum que os escritores bíblicos para aquele evento. Porém, em Apoc. 1:1, ele já tinha anunciado o escopo das visões dadas a ele como alusivas às “coisas que em breve devem acontecer.” No v. 9, ele se identifica, dá o lugar onde foram recebidas as visões e relata de sua presença ali. Em sequência lógica, o v. 10 deveria prover informação adicional relacionada à forma de revelação da visão, e não ao seu conteúdo. Evidências contextuais, acrescentadas à analogiadas Escrituras, parecem impossibilitar a aplicação de kyriake hemera ao grande dia do Senhor no final da era evangélica.
2. Como um aniversário imperial. A cerâmica imperial romana e inscrições datadas dos tempos do N.T. mostram que o adjetivo kyriakos era aplicado ao “tesouro imperial” e ao “serviço imperial”, que pertenciam ao imperador como “senhor” do império. O imperador era comumente chamado de Kyrios, “senhor” em grego. Consequentemente, seu tesouro e serviço eram “o tesouro do senhor” e o “serviço do imperador”. Portanto, alguns têm sugerido que kyriake hemera denota um dia imperial, talvez o aniversário do imperador ou de sua coroação. Porém, não achou-se tal uso de kyriake hemera até agora. Além disso, sabe-se que judeus (Veja Josefo Guerras vi. 10. 1) e cristãos do primeiro século, no mínimo do segundo século (Veja Martírio de Policarpo 8), recusaram chamar a César de Kyrios, “senhor”. É, portanto, improvável que João tenha-se referido a um dia imperial como “o dia do Senhor”, especialmente numa época em que ele e seus irmãos na fé sofriam amarga perseguição por recusarem adorar o imperador como “senhor”.
3. Como o domingo. De acordo com essa interpretação, kyriake hemera é uma designação cristã para o primeiro dia da semana. Porém, é completamente escassa a evidência de que os cristãos nos tempos do N.T. tenham sequer usado kyriake hemera para identificar o domingo. Eruditos cristãos conservadores concordam que João, que escreveu o Apocalipse, também tenha escrito o quarto evangelho aproximadamente na mesma época. Em João 20:1, ele designa o domingo como “o primeiro dia da semana”, o título comum também usado por todos os outros escritores do N.T.. A analogia das Escrituras também é contrária à interpretação de kyriake hemera como o primeiro dia da semana. Um exame imparcial e contextual das passagens do N.T. citadas no esforço de favorecer essa interpretação antiescriturística mostra que elas não têm nenhuma influência sobre o assunto.
4. Como o sábado do sétimo dia. Em Mar. 2:27, 28, nosso Senhor especificamente declara-Se a Si mesmo como o “Senhor” do sábado do sétimo dia. No quarto mandamento (Êxo. 20:8-11), Deus especifica o sétimo dia da semana como Seu em um sentido especial: “o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus” (v. 10), e em Isa. 58:13, 14, Ele o chama de “meu santo dia”. A conclusão mais lógica é que pela expressão “dia do Senhor”, João estava identificando o sábado do sétimo dia como o dia no qual a visão descrita em Apoc. 1 foi-lhe dada.
Consistentemente no A.T. e no N.T., essa e expressões semelhantes denotam o tempo em que Deus intervém nos assuntos humanos a fim de executar juízo sobre os ímpios e livrar o Seu povo das mãos de seus opressores. O dia da visitação divina sobre o antigo Egito (Jer. 46:10) e a Babilônia (Isa. 13:6, 9) é referido como “o dia do Senhor” sobre essas nações, mas é também um dia em que Deus promete restaurar Israel (Isa. 14:1-2, Jer. 46:27, 28). O “dia do Senhor” deveria ser também um dia de julgamento sobre Seu próprio povo por causa de suas iniquidades (Joel 1:15; 2:1), o cativeiro Babilônico em particular sendo assim referido (Sof. 1:7, 14, 18; 2:2). A expressão também veio a referir o grande e final dia do Senhor, quando ele subjugará as nações pagãs e estabelecerá Seu próprio povo em seu justo domínio (Isa. 2:2, 12; 34:8; Joel 3:14; Ob. 15, 17; Zac. 14:1; Mal. 4:5). Como um dia de juízo sobre os ímpios, é chamado de “dia de escuridão” (Joel 2:1, 2; Amós 5:18-20), escuro por causa da ira divina (Ezeq. 7:19).
Os escritores do N.T. pintam o dia do Senhor como um dia de ira (Rom. 2:5, 6) e um “dia de juízo” (Mat. 10:15; II Ped. 3:7). Eles se referem a ele como “o dia do Senhor Jesus” (II Cor. 1:14, “o dia de Jesus Cristo” (Fil. 1:6), ou simplesmente como “dia de Cristo” (V. 10). Em vista do fato de que todos os negócios da terra chegarão a um fim naquele dia — seria o última dia da Terra —, é variavelmente chamado “o grande dia” (Judas 6), “aquele dia” (Mat. 7:22; I Tess. 5:4), ou simplesmente como “o dia” (I Cor. 3:13). “O dia do Senhor” é destacadamente o dia em que o Senhor Jesus Cristo aparecerá para chamar os justos de suas sepulturas (João 6:39), a fim de purificar a Terra com fogo (II Ped. 3:7-12), e estabelecer Seu reino eterno e Sua justiça (Mat. 25:31, 34; II Ped. 3:13, 14).
Pr. CHAGURI
MESTRE EM MISSIOLOGIA

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