sexta-feira, 27 de agosto de 2010

BABILÔNIA SIMBÓLICA.


Uma designação misteriosa no Apocalipse (Cap. 14:8; 16:19; 17:5; 18: 2,10, 21) para as organizações religiosas apóstatas em oposição a Cristo e a Seu povo na Terra, especialmente durante a fase final do longo conflito entre o bem e o mal. *Babilônia é variadamente identificada como a “grande cidade”, que governa sobre os reis da Terra; como a “grande meretriz” e “mãe das prostitutas” (cap. 16; 17:1, 5 e 18). *Adultério é uma metáfora usual do *Antigo Testamento para religião apóstata (por exemplo, Eze 16:15 pp.; 23:2, 3 pp.; Os. 4:15). O revelador declara que “Babilônia caiu” (Apoc. 14:8; 18:2), seduziu os “reis da terra” que com ela cometeram fornicação (cap. 17:2); incitou os habitantes da terra a se “embebedarem com o vinho de sua prostituição” (cap. 17:2; 19:2) iludiu as nações com sua “feitiçarias” (cap. 18:23). Ele a representa como “embriagada com o sangue dos santos, e com o sangue dos mártires de Jesus” (cap. 17:5, 6; 18:24; 19:2). Seus pecados consistem de orgulho e arrogância (cap. 17:4; 18:7, 16), desafio a *Deus e *Perseguição a seu povo na Terra (cf. cap. 16:19; 17:6; 18:24) e aliança ilícita com os poderes políticos da Terra (cap. 17:2, 3; 18:9). Ele nota que “seus pecados” eventualmente se acumularam até o *Céu e chegou o tempo de Deus julgá-la (cap. 16:19; 18:5, 6; 19:2). Por esse motivo, Deus chama seu povo para sair de Babilônia, a fim de evitar a cumplicidade em seus “pecados” e as “pragas”. Ele está prestes a visitá-la (cap. 18:4). Desiludidos, os reis da Terra voltam-se contra ela e a destroem (cap. 17:14, 16, 17; cf. 18:19, 21; 19:3). Desse modo, Deus vinga Seu povo com relação à Babilônia (cap. 18:20; 19:2).
Babilônia é “um nome de mistério” (cap. 17:5), isto é, um título enigmático ou figurativo; por conseguinte, a designação “Babilônia mística”, é usada com freqüência. Esse nome simbólico conota o fato histórico de que nos tempos do Antigo Testamento a Babilônia literal era o arquiinimigo do povo do *Concerto de Deus. A Babilônia mística deve ser compreendida nos termos do papel desempenhado por seu contraponto histórico nos tempos do Antigo Testamento (Veja SDABC, 7:866, 869). O nome babilônio Bâb-ilu (Babel ou Babilônia) significava “portão de ouro”. Nos tempos antigos, o portão da cidade era o lugar onde visitantes oficiais conduziam negócios públicos. O nome Bâb-ilu refletia a crença de que a Babilônia era o lugar escolhido pelos deuses para se encontrarem com os homens e os reis babilônicos afirmam que os deuses os haviam comissionado para governar o mundo. Em hebraico, a palavra Bâb-ilu estava depreciativamente associada ao termo “balal”, “confusão” — uma lembrança de que Deus havia confundido o discurso dos construtores de Babel (Gên. 11:9).
Do tempo de sua fundação por Ninrode (Gên. 10:9,10; 11:1-9), Babilônia caracterizava-se por sua descrença no verdadeiro Deus e desafio à Sua vontade. Sua torre era um monumento à *Apostasia, e a cidadela de rebelião contra Ele. Isaías identifica Lúcifer como o rei de Babilônia (Is. 14:4, 12-14) e sugere que Satanás tornou Babilônia o centro e agente de seu plano principal para assegurar o controle da raça humana, assim como Deus se propôs a trabalhar através de Jerusalém para realizar Seu plano para esse mundo. Através dos tempos do Antigo Testamento, as duas cidades tipificavam as forças do bem e do mal em ação no mundo. No Apocalipse, a Babilônia mística apresenta-se em contraste com a Nova Jerusalém, “a noiva de Cristo, vestida com linho fino, branco e puro: ... justiça dos santos, em contraste com o vestido sensual e brilhante de Babilônia (cap. 19:8; cf. 17:4; 18:7, 16). Nabucodonosor II fez de Babilônia uma das maravilhas do mundo antigo, intencionando que seu reino fosse universal e eterno (Dan. 3:1, 4-30) através dos séculos. Após sua destruição por Xerxes, a cidade, gradualmente, perdeu seu brilho e importância, e no tempo em que João escreveu o Apocalipse, era virtualmente uma ruína desolada e, desse modo, uma ilustração gráfica do destino impendente da Babilônia mística.
Nos primórdios do primeiro século A.D., os cristãos referiam-se a Roma através do título misterioso de Babilônia (Veja I Ped. 5:13). Os judeus estavam sofrendo sob o governo de Roma tal qual haviam sofrido previamente sob Babilônia, e os cristãos estavam sofrendo perseguições esporádicas também. Para evitar retaliação, judeus e cristãos começaram a usar “Babilônia” como um nome secreto para Roma imperial (Veja Sibyllines Oracles — Oráculos Sibilinos) 5:155-161; II Baruque 11:1; Jewish Midrash Rabbah on Canticles 1:6) (“Eles chamavam Roma de Babilônia”), Soncino ed., p. 60.
Os pais da Igreja dos primeiros séculos, como por exemplo Tertuliano (Against Marcion iii, 13) e Irineu (Adversus Heresus [Contra Heresias], v. 26. 1), aplicaram o termo “Babilônia”, no Apocalipse, à cidade de Roma ou ao império. Joaquim de Floris (d.1202) esteve entre os primeiros a incluir a Igreja de Roma no termo “Babilônia” (L. E. Froom, The Prophetic Faith of Our Fathers, vol. 1, p. 708). Outros da alta Idade Média que também agiram do mesmo modo foram: Pierre Jean dÓlivi, um religioso francês (d.1298) (ibid., pp. 764, 765; Michel de Cesena (ibid., vol. 2, p. 20); os Lolardos (ibid., pp. 78 e 79; João Huss (ibid., p.116); e Savonarola (ibid., p. 152). Esta identificação divulgou-se entre os protestantes.
*Guilherme Miller identificava a Babilônia mística com “Roma sob o poder papal” (Josué Himes, Views of the Prophecies and Prophetic Chronology (Teorias das Profecias e Cronologia Profética, de Guilherme Miller 1842, p. 200). Sylvester Bliss, editor *Milerita, defendia que a Babilônia é “tudo neste mundo que se desarmoniza e se opõe ao Espírito de Cristo”, ou seja, o “reino de Satanás” e que ao império romano dividir-se, “a pontal papal sucederia a supremacia, como a inteligência do poder de Satanás, e tornar-se-ia a Babilônia do mundo” (The Advent Shield and Review, 1844, pp. 112, 113, 115, 116).

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