quinta-feira, 27 de maio de 2010

AS ERVAS DANINHAS E OS FRUTOS -RISCOS E OPORTUNIDADES NA CONTEXTUALIZAÇÃO

Primeiro perigo: o político
Tem sua origem na tendência humana natural de impor a outrem sua forma adquirida de pensar e interpretar, prática essa realizada em grande escala pelos movimentos imperialistas do passado e do presente, bem como por forças missionárias que entenderam o significado do Evangelho apenas dentro de sua própria cosmovisão, cultura e língua. Dessa forma, as altas torres dos templos, a cor da toalha da ceia, a altura certa do púlpito, as expressões faciais e a reverência tornaram-se muito mais que peculiaridades de um povo e de uma época. Misturam-se com o essencial do Evangelho na transmissão de uma mensagem que não se propõe a resgatar o coração do homem, mas sim moldá-lo num cadinho de elementos compulsórios e culturalmente definidos apenas para o comunicador da mensagem, apesar de totalmente divorciados de significado para aqueles que a recebem.
Várias têm sido as conseqüências de uma exposição política do Evangelho, porém mais comumente encontramos o nominalismo no primeiro momento e, por fim, um sincretismo quase irreversível. David Bosch afirma que o valor do Evangelho, em razão de proclamá-lo, está totalmente associado à compreensão cultural do povo receptor.
Segundo perigo: o pragmático
Ele pode ser visto quando assumimos uma abordagem puramente prática na forma de apresentar o Evangelho. Como a contextualização é um assunto que está frequentemente associado à metodologia e processo de campo, somos levados a entendê-la e avaliá-la baseados mais nos resultados do que em seus fundamentos teológicos. Consequentemente, o que é bíblico e teologicamente evidente, torna-se menos importante do que aquilo que é funcional e pragmaticamente efetivo. Normalmente, todas as decisões missiológicas devem estar enraizadas numa boa fundamentação bíblico-teológica, se desejarmos ser coerentes com a expressão do mandamento de Deus (At. 2.42-47). Entre as iniciativas missionárias de maior contextuação com o povo receptor, encontramos um número expressivo de movimentos heréticos por conta do pragmatismo. Do ponto de vista puramente pragmático, porém, é a Igreja que contextualiza sua mensagem sendo sensível às nuances culturais. Devemos ser lembrados de que nem tudo o que é funcional é bíblico. O pragmatismo leva-nos a valorizar mais a metodologia do que o conteúdo a ser contextualizado. A apresentação pragmática do Evangelho, portanto, privilegia apenas a comunicação com seus devidos resultados, e se olvida do conteúdo da mensagem comunicada.

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