segunda-feira, 5 de abril de 2010

REINO DE DEUS

REINO DE DEUS. Na *Bíblia, essa frase se refere primariamente ao regimento real, ou soberania de *Deus que, de acordo com o *Novo Testamento, Ele exerce através de *Jesus Cristo como demonstrado nos *Evangelhos Sinóticos; Seu ensino anterior (Mat. 4:17; Luc. 4:43), no Sermão da Montanha, (Mat. 5 a 7), nas primeiras parábolas (Mat. 13), e na última ceia (Luc. 22:29-30) — é o reino de Deus.
A frase atual não ocorre no *Antigo Testamento, embora reino em relação a Deus refira-se quase sempre a Sua autoridade ou regimento real (Sal. 22:28; 45:6., 103:19; 145:11, 13: Dan. 4:34; 6:26; etc). Nos Evangelhos, a frase “reino de Deus” é usada 15 vezes em Marcos, 33 vezes em Lucas, 2 vezes em João e 5 vezes em Mateus. A frase “reino do Céu” ocorre 29 vezes em Mateus e uma vez num dos manuscritos de João 3:5. As duas frases são usadas como sinônimos. Mateus reflete a prática judaica de substituir um circunlóquio reverente, “céu”, por um nome sagrado, para evitar o uso do último desnecessariamente. As duas frases são usadas intercambialmente em Mat. 19:23, 24. A frase “Reino de Deus” é encontrada sete vezes em Atos, 9 nos escritos de Paulo e uma vez no livro de Apocalipse. Em acréscimo, tais expressões equivalentes como, “teu reino”, “seu reino”, “o reino”, “o reino de meu Pai” ocorrem nos Sinóticos. O Reino de Deus é também o reino de Cristo (Mat. 13: 41; 16:28; Luc. 22:30, João 18:36; Col. 1:13; II Ped. 1:11; Apoc. 11:15; 12:10).
O significado básico das palavras gregas e hebraicas para o reino (malkûth e basileia) é o de autoridade real ou soberania mais do que no âmbito ou esfera em que esta autoridade é exercida. Este significado primário é refletido, por exemplo, na parábola de Jesus sobre o homem que saiu para um longínquo país para receber um reino; isto é, para receber poder e autoridade reais (Luc. 19:11, 12). O reino de Deus, então, é a realeza de Deus, Sua soberania, Seu regimento, Sua autoridade. Quando alguém busca o reino (Mat. 6:33), ou recebe o reino (Mar. 10:15), este reino refere-se ao regimento soberano de Deus sobre sua vida. O reino de Deus deve ser encontrado onde Ele é reconhecido como Rei.
Há o sentido, logicamente, de que Deus sempre é Rei (Sal. 47:2, 103:19; 145:13; Dan. 4:25). Mas Seu reinado ainda não se tornou uma realidade na história. Nosso mundo está em rebelião contra Deus, e Satanás usurpou seu governo. Porém Deus não renuncia Sua soberania.
Jesus Cristo entrou na história humana para restaurar o governo de Deus sobre esta Terra (Dan. 2:44; 7:14; I Cor. 15:24, 25). Esta nova manifestação de poder e soberania é agora o reino de Deus. Ele tomou a iniciativa de derrotar a Satanás e de restaurar a humanidade à submissão voluntária deste grande reino, que está libertando homens e mulheres da escravidão de Satanás e fazendo-os cidadãos de uma comunidade (Fil. 3:20, 21).
Este reino tem duas fases — “o reino da graça” e o “reino da glória”. Embora esses termos não sejam usados na Bíblia, as Escrituras falam do “trono da graça” (Heb. 4:16) e do “trono da glória” (Mat. 25:31, 32), e tronos representam reinos. O trono da graça implica a existência de um reino de graça, e o trono da glória representa o futuro reino da glória.
O reino da graça, a fase soteriológica, estava presente nos dias de Jesus (Mar. 1:15; Lucas 16:16; 17:20, 21; Mat. 21:31; Col. 1:13), e foi manifestado nEle como o Messias. O homem pode entrar neste reino de graça hoje aqui, reconhecendo-o como o Senhor de sua vida. Este é o grande reino espiritual da graça de Deus e de sua justiça. Os princípios controladores neste reino não são poder e força, mas justiça, misericórdia e amor. As curas de Jesus foram parte da obra de trazer este reino ao homem (Luc. 11:20). Cristo estabeleceu plenamente esta fase do reino por Sua morte. Onde Satanás estabelecera seu trono, Cristo ergueu Sua cruz. O homem entrou no reino da graça divina mediante arrependimento, crendo e aceitando o novo nascimento (Mat. 18:3; João 3:5), e submetendo-se voluntariamente ao governo de Cristo. Este reino é estabelecido “há de estabelecer-se o reino de Cristo, mas pela implantação de Sua natureza na humanidade, mediante o operar do Espírito Santo” (DTN, 489). Os princípios éticos para os cidadãos do reino são estabelecidos no Sermão da Montanha. Eles devem tornar o reino supremo em sua afeições e devoções. (Mat. 6:33).
Mas o reino é também futuro e escatológico. A vontade de Deus e seu reino nunca serão perfeitamente compreendidos nesta geração. Não será plenamente compreendido até que nosso Senhor interfira novamente na história humana, vindique Seu reino universal e ponha um fim na rebelião (Mat. 13:41-43). “Quando o Filho do homem vier em Sua Glória e todos os anjos com ele, então se assentará em seu glorioso trono” (Mat. 25:31, RSV). Como houve dois adventos de Cristo, assim também há duas manifestações de Seu reino. Foi por essa segunda fase do reino que Jesus ensinou seus discípulos a orar (Mat. 6:10). Este reino deve ser estabelecido no Segundo Advento e na ressurreição dos justos. Sendo este um reino glorioso, incorruptível e eterno, o homem, em seu presente estado, não pode adentrá-lo. “Carne e sangue não podem herdar o reino de Deus; nem a corrupção (I Cor. 15:50). Por isso a natureza dos viventes e dos que foram ressuscitados é mudada da corruptibilidade e mortalidade para a incorruptibilidade e imortalidade. A estes, que experimentam esta mudança, o Rei da glória dirá: “Vinde benditos de meu Pai, entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mat. 25:34). Amém!

0 comentários: