quinta-feira, 8 de abril de 2010

LIVRE ARBÍTRIO.

Capacidade com a qual o Criador dotou o homem e que o capacita a fazer escolhas para obediência ou desobediência para com Deus, a ser submisso à lei moral ou não. Esta capacidade exclui o uso da força da parte de Deus para conseguir uma mudança no homem. Deus procura atrair o homem para Si, mas deixa todo homem livre para decidir-se em responder. Se os homens escolhem se alienarem de Deus, Sua vontade torna-se onipotente em suas vidas e nada pode impedi-los de seguir o plano de Deus.
O Calvinismo e o Arminianismo propõem duas grandes diferentes concepções a respeito do livre arbítrio do homem. Estas idéias remontam há muito tempo na história eclesiástica. Agostinho falou do que chamava de “irresistível” graça de Deus e absoluta predestinação que excluem o verdadeiro livre arbítrio. Pelágio, monge inglês que vivia em Roma, rejeitou o Agostinianismo, declarando sua própria salvação em temor e tremor. Desta maneira iniciou-se um conflito interminável sobre a graça divina e livre arbítrio.
Calvino afirmou que Deus, por um decreto irrevogável, tinha destinado certos homens para a salvação e outros para a reprovação, independente de sua escolha pessoal ou decisão. Estes apontados para a salvação seriam inevitavelmente salvos e todos os outros seriam certamente condenados. De acordo com Calvino, *Jesus Cristo não morreu por todos os homens, mas somente por aqueles que foram eleitos por Deus para a salvação. Aqueles destinados para a salvação seriam incapazes de resistir ao Espírito de Deus trabalhando em seu coração, embora nenhum desejo ou esforço da parte dos predestinados para a eterna condenação pudesse possivelmente inverter o destino. Para o calvinista ortodoxo, a eleição residia somente na soberana vontade de Deus, não na fé ou obras dos homens.
O Arminianismo, por outro lado, define a predestinação como um decreto eterno, em Cristo, para tornar a vida eterna disponível a todos os pecadores que, pelo Seu poder e graça, aceitam a Jesus Cristo e perseveram na fé (Ef. 1:3-8). Deus rejeitará somente os que voluntariamente recusam a oferta da graça divina. De acordo com Armínio, Jesus morreu por todos os homens, e em virtude de sua morte, todos os homens são qualificados a aceitar o perdão pelo pecado, a encontrar aceitação em Deus, permanecer firmes até o fim e entrar no eterno reino de Deus. O pecado privou o homem da capacidade de exercer o livre arbítrio: por Sua morte na cruz Cristo restaurou esta capacidade. Separado da graça de Deus, o homem está à mercê da insegurança. Todas as boas obras são o resultado desta graça, que, embora absolutamente necessária, não é irresistível. Mediante a graça divina pode ser vitorioso sobre o pecado, sobre o mundo e sobre o diabo.
Numerosas modificações das teorias de Calvino e Armínio têm aparecido desde seus dias. Os ASD encontraram elementos da verdade bíblica em Calvino e Armínio. O A.T. e o N.T. enfatizam a liberdade da vontade humana (Deut. 28:1, 2, 13-15; Jos. 24:14-25; Is. 1:19, 20; Jer. 18:7-10; Jer. 29:13, 14; Mat. 7:24-27; 23:37; Rom. 6:12, 13; 14:10-12; II Cor. 5:10; Apoc. 22:17; etc.).
Deus, em graça e misericórdia, deseja que todos os homens sejam salvos mediante fé em Jesus Cristo, mas deixa para o homem a escolha de aceitar ou rejeitar Seu gracioso dom. Todo homem é, portanto, responsável por seu próprio destino. A pessoa que escolhe colocar sua vontade ao lado da vontade de Deus, e que anseia deixá-la ali, é invencível “em Jesus Cristo”. Porém, voluntariamente entregando sua vontade à vontade de Deus, o homem não necessita por isso perder a liberdade de vontade. Ele pode ainda escolher quebrar sua união com Cristo embora nem força, nem tentação, nem coerção ou engano possa tirar a salvação daquele que escolhe servir ao Mestre, mediante um compromisso contínuo e definido da vontade.

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